sexta-feira, setembro 22, 2006

CORAÇÃO AMIGO

Ó coração meu amigo
Companheiro e dedicado
Entendes tudo o que eu digo
Estás sempre do meu lado

Se choras eu também choro
Se sorris sorrio também
Ó coração meu amigo
Não somos de mais ninguém

Tu és meu e eu sou tua
Não é de qualquer maneira
Porque enquanto tu bateres
É a nossa vida inteira

Um dia quando parares
Não vou contar a ninguém
Digo com delicadeza
Podes ter a certeza
Aí eu paro também

2003/11/27

ERA UM CANTEIRO FLORIDO

Os meus pais tinham canteiros
Com cinco roseiras nascidas
E no meio dois craveiros
Ao pé das rosas floridas

Duas roseiras secaram
Um craveiro também secou
Outras duas abalaram
Só uma roseira ficou

Só uma roseira ficou
Num canteiro sem flores
O outro craveiro abalou
Separaram-se os amores

Separaram-se os amores
Nunca mais demos as mãos
Num canteiro cheio de flores
Meus pais, eu e meus irmãos

Foram partindo dia a dia
Estas são as verdades
E cada um que partia
Deixava-nos mais saudades

2004/02/28

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

O mundo dá tantas voltas
Ele anda sempre a girar
Eu dei tantas voltas no mundo
Nem me consigo encontrar.

Se o mundo um dia parasse
E se o sol nos faltasse
Tudo seria diferente
Se o céu deixar de brilhar
E se a lua se apagar
O que seria d’agente?


2002/07/17

AS DORES QUE EU SINTO

Se as dores se pudessem ver
Assim tu ias saber
Como é grande o meu tormento.

Ando quase sempre a cantar
Para as dores disfarçar
E aliviar o sofrimento.

Eu canto sem alegria
Isso é que ninguém sabia
Mas agora eu vou contar.

Quem não me estiver vendo
Minha boca está cantando
E o coração a chorar.

É tão grande o sofrimento
Eu digo neste lamento
Quase que não posso suportar.

Quem me estiver a ouvir
Julga que eu me estou a rir
E eu estou tão triste a cantar.

2002/01/31

ARRÁBIDA FLORIDA

Arrábida está florida
Com um manto de flores
Contou-me uma história
Que aprendeu com seus amores.

Quando os namorados lá vão
À noitinha passear
Ficam sentadinhos no chão
Só para verem o luar.

Ouvem as ondas do mar
Vêm o Sado a correr
Ficam sentadinhos no chão
Até a maré encher.

Eu quero ir à Arrábida
Um dia pela tardinha
Se não arranjar namorado
Eu vou lá mesmo sozinha.

2002/03/04

AQUI

Aqui e agora
Eu acabei de chegar
Queria fazer um verso
Mas não consigo rimar.

Fico aqui sentadinha
Um pouco envergonhada
O melhor é ir-me embora
Que eu estou aqui a fazer nada.

Todos escrevem os seus poemas
Eu não sei escrever os meus
O que é que eu estou aqui a fazer
Vou-me embora adeus adeus.


2001/11/18

ALENTEJO DOURADO

Meu Alentejo dourado
No Alentejo nasci
Alentejo és muito amado
Todos gostamos de ti

Se fores triste ao Alentejo
Quando voltares vens calminho
Porque o sol do Alentejo
Mesmo no inverno é quentinho

Mesmo no inverno é quentinho
Naquela linda terra minha
Porque lá no Alentejo
Deixei tudo quanto tinha

Deixei tudo quanto tinha
Não me vão levar a mal
Ausentes do Alentejo
Somos um grupo coral

10/11/03

A VISITA

Se quiseres vir à minha casa
Toma atenção ao que eu digo
Fica ao virar da esquina
É uma casa pequenina
Pobre e parecida comigo

O ódio não entra lá
A vaidade também não
Esta é a minha casinha
Cabe toda inteirinha
Na palma da minha mão.

E quando tocares à porta
Espera mais um bocadinho
Sou eu que estou distraída
Fazendo os poemas da vida
Para tu leres no caminho.


2001/11/18

A VIDA

A vida quem tem a vida
Estime-a para não a perder
Que a minha foi destruída
Tão cedo fiquei sem vida
E sem gosto para viver.

Quem nunca teve tristeza
E viveu só de alegria
Eu confesso que não entendo
De tristeza já nem me lembro
Se fui alegre algum dia.

Nunca brinquem com a vida
Que cada um tem só uma
Ficamos sem respirar
Quando esta vida acabar
Não temos mais nenhuma.

A alegria abandonou-me
E o meu gosto de viver
Sinto que estou desprezada
Por me ver abandonada
Mais me valia morrer.

2002/03/02

A nuvem

Nuvem não tapes o sol
Deixa passar o calor
Que eu estou tremendo de frio
À espera do meu amor.

Abalou de manhãzinha
Não há meio de voltar
Nuvem não tapes o sol
Até o meu amor chegar.

Para não arrefecer
O meu coração magoado
Que o meu amor abalou
E anda com outra ao lado.

A MODA PIMBA

Dantes quando eu cantava
Não animava ninguém
Apareceu a moda pimba
Eu canto pimba também.

Pimba pimba no padeiro
Pimba na mercearia
Pimba no supermercado
E pimba na peixaria.

Quando o meu marido fala
Eu não vi coisa mais linda
Pede-me com todo o carinho
‘tu não faças tanto pimba’.

Eu não lhe dou ouvidos
Logo me vou levantar
Pego na minha carteira
Começo logo a pimbar.

Pimba pimba nas alfaces
Pimba no pão com chouriço
Pimba no bacalhau
Ninguém tem nada com isso.

Quando vem o dia vinte
Aí eu vou descansar
Não há pimba para ninguém
Até o fim do mês chegar.

Quando olho para trás
Aí eu oiço falar
O que aquela mulher faz,
Que leva o dia a pimbar.

Eu não respondo nada
Digo mal à minha vida
Se eu não pimbo todo o dia
Em casa não há comida.

A moda do pimba pimba
Vai dar muito que falar
Quando chega o dia um,
Lá estou de novo a pimbar.


2002-10-17

A Mocidade

Vi partir a mocidade
Na pétala de uma flor
Só deixou a saudade
E levou o meu amor.

Depois fiquei a olhar
Vendo ela se aproximar
De uma linda nuvenzinha.
E ali fiquei a chorar
Quando vi ela abalar
E que me deixou sozinha.

A mocidade abalou
Tudo o que era meu levou
Até o gosto de viver
Encontrá-la agora é tarde
Adeus adeus mocidade
Nunca mais te torno a ver.

2001/05/09

Á minha mãezinha

Ouve lá querida mãezinha
O que eu tenho para te falar
Como trataste a avózinha
Igual eu te vou tratar.

Nunca a abandonaste
Eu não te vou abandonar
Sempre bem a trataste
Eu bem te vou tratar.

Não dizias mal dela
Nem te queixavas a ninguém
Ficaste sempre com ela
Fico contigo também.

Faço a minha obrigação
Vou minha dívida pagar
Descansa querida mãezinha
Nunca te ponho num lar.


2001/05/09

A JANELA DA ESPERANÇA

Vi a janela da esperança
Que o bom Jesus me mostrou
Eu lhe pedi paz para o mundo
E depois a janela fechou.

Ouvi Jesus me pedir
Que por ele tivesse respeito
Que não brincasse com seu nome
Como muitos tem feito.

Eu agradeci a Jesus
Por ele me ter escutado
E disse-lhe que o seu nome
Para mim é sempre sagrado.

2001/10/17

A GUERRA NO MUNDO

O mundo está em guerra
Só se vê fome e terror
Vamos arrancar o ódio
Para plantar amor.

Com ódio nada se faz
Só ódio e mais ainda
Que reine o amor e a paz
Que não há coisa mais linda.

Vamos pedir ajuda a Deus
Que o Homem não é capaz
Só Deus nos pode ajudar
A pôr tudo no seu lugar
Para o Mundo ficar em paz.

Depois vamo-lhe agradecer
Tudo o que Jesus conseguiu
Que foi de novo fazer
O que o Homem destruiu.

2001/11/18

A ESTEVINHA JÁ CRESCIDA

A minha linda estevinha
Até que enfim deu flor
Está ao lado do rosmaninho
E eu vou apanhar um raminho
Para dar ao meu amor.

Se ela não ficar zangada
Eu fico muito feliz
A minha linda estevinha
Cada vez mais bonitinha
Já toda a gente me diz.

Fui ao campo e apanhei-a
Ela não levou a mal
A minha linda estevinha
Cada vez mais bonitinha
Crescendo no meu quintal.

Não é imaginação
É pura realidade
Não é ideia minha
Tenho mesmo uma estevinha
Acreditem que é verdade.

2002/02/25

A COZINHEIRA CANSADA

Levo os dias na cozinha
Estou farta de cozinhar
Não gosto de estar sozinha
Arranjei uma florzinha
Para comigo falar.

Ela não é exigente
Mas fica muito contente
Quando eu a ponho à janela
Parece que foi castigo
Ela não fala comigo
Eu é que falo com ela.

Estou cansada de trabalhar
Não posso mais lavar
Tachos, pratos ou panelas
Fazia arroz com feijão
Faço bacalhau com grão
E bebo ginginha com elas.

2002/02/27

A ALEGRIA E A TRISTEZA

Se estou alegre eu canto
Se estou triste canto também
Este é o meu segredo
Eu confesso que tenho medo
De o ensinar a alguém.

Podem não acreditar
Ou não lhe dar resultado
Eu confesso tenho medo
O melhor é o meu segredo
Eu guardá-lo bem guardado.

2002/02/27

1,60€

Quem vai ao jumbo
Por força tem que passar
Pela loja dos trezentos
E qualquer coisa comprar

E qualquer coisa comprar
Custa uma tuta e meia
Por ser tão baratinho
Eu já tenho a casa cheia

Eu já tenho a casa cheia
E o que é que eu faço agora
Para continuar a comprar
Tenho que ir deitando fora

Isso é estragar
Aquilo que não faz falta
Nunca se deve comprar.

2002-10-17